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SEQUÊNCIA DE ENSINO RELATIONSHIPS – LÍNGUA INGLESA, TRANSLINGUAGEM E CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE RELACIONAMENTOS ABUSIVOS

SEQUÊNCIA DE ENSINO RELATIONSHIPS – LÍNGUA INGLESA, TRANSLINGUAGEM E CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE RELACIONAMENTOS ABUSIVOS

 Autor: Karla Daniele Matos Menezes King  Category: Sequencia Didática  Publicado: outubro 20, 2026  ISBN: 978-65-02-41019-6 More Details  Download
 Descrição:

APRESENTAÇÃO
Este guia pedagógico apresenta a sequência de ensino Relationships, desenvolvida e aplicada com estudantes da 2ª série do Ensino Médio. A experiência integrou o currículo de Língua Inglesa e fez parte de um ciclo de pesquisa-ação realizado em meu contexto de atuação docente.

A proposta nasceu em uma escola pública de tempo integral localizada em Boa Vista, Roraima, marcada pela diversidade cultural e linguística de seus estudantes. Nesse espaço, convivem jovens brasileiros e migrantes,
especialmente venezuelanos, que mobilizam português, espanhol, inglês, portunhol e outros recursos semióticos em suas interações cotidianas. Tal realidade exige práticas pedagógicas que reconheçam os repertórios dos alunos, promovam o acolhimento linguístico-cultural e criem condições para que todos participem do processo de aprendizagem, ainda que apresentem diferentes níveis de proficiência nas línguas utilizadas na escola.

A elaboração da sequência também representa um movimento de fortalecimento da autonomia docente. Durante muito tempo, professores de línguas foram vistos principalmente como executores de métodos e materiais previamente estabelecidos. Em oposição a essa perspectiva, compreendo o professor como alguém que observa sua realidade, identifica necessidades, cria estratégias, avalia os resultados e produz conhecimentos a partir da própria prática. Como afirma Leffa (2016, p. 77), “para ser criativo na sala de aula o professor precisa de alunos e de uma lousa, mas se não tiver uma lousa, bastam os alunos”. Essa compreensão reforça que a criatividade pedagógica não depende apenas de recursos materiais, mas da interação, da escuta e da capacidade de transformar as necessidades da turma em oportunidades de aprendizagem.

A escolha da temática surgiu da necessidade de discutir situações de violência no namoro já observadas no contexto escolar. Na adolescência, comportamentos como controle, manipulação, ciúmes excessivos, isolamento, desrespeito e agressões podem ser confundidos com demonstrações de amor ou cuidado. Por isso, tornou-se necessário construir um espaço de diálogo no qual os estudantes pudessem reconhecer sinais de abuso, refletir sobre relações saudáveis e compreender a importância da comunicação, do respeito, da igualdade e da busca por apoio.

Ao longo de dez aulas, a língua inglesa foi trabalhada de maneira contextualizada, articulando leitura, escrita, compreensão auditiva, gramática, ampliação lexical, recursos digitais, cinema, produção de narrativas e criação de materiais multimodais. A sequência foi organizada com base nas fases de problematização inicial, desenvolvimento da narrativa do ensino, aplicação dos novos conhecimentos e reflexão sobre o que foi aprendido.

A translinguagem ocupou um lugar central no percurso. Os estudantes foram incentivados a mobilizar os recursos linguísticos que possuíam para compreender textos, participar dos debates e produzir suas narrativas. Esse
movimento foi especialmente significativo para os alunos migrantes, pois permitiu que participassem sem que o domínio ainda emergente do português ou do inglês se transformasse em uma barreira para a expressão de ideias, experiências e sentimentos.

Como um dos produtos da sequência, foram elaboradas 27 narrativas bilíngues e híbridas, escritas em português, espanhol e portunhol. Os textos foram reunidos em um livro coletivo sobre violência nos relacionamentos. Embora essa produção não tenha sido publicada formalmente, ela cumpriu uma importante função pedagógica e motivacional, valorizando as vozes dos estudantes e fortalecendo seu sentimento de pertencimento.

Os alunos também produziram lapbooks a partir de pesquisas sobre aspectos psicológicos, emocionais, legais, culturais e sociais da violência no namoro, bem como sobre prevenção e redes de apoio. O trabalho culminou em um evento realizado no auditório da escola, com palestras, exposição dos materiais, apresentação dos estudantes e divulgação do livro de narrativas para a comunidade escolar.

Este material não pretende oferecer uma fórmula pronta ou uma proposta que deva ser reproduzida de maneira rígida. Trata-se do compartilhamento de uma experiência situada, construída em uma realidade específica e
atravessada por possibilidades, dificuldades, adaptações e aprendizagens. Cada professor poderá reorganizar as atividades, selecionar outros textos, substituir o filme, ampliar o número de aulas e adequar os produtos finais às necessidades de seus estudantes e às condições de sua escola.

Dessa forma, este guia procura mostrar o percurso: as escolhas realizadas, os desafios encontrados, as soluções construídas e as aprendizagens que emergiram da interação com os estudantes. Espero que a experiência inspire outros professores a reconhecerem a sala de aula como espaço de investigação, criação, acolhimento e transformação social.

 

Para refletir
Uma aula de língua pode ensinar os estudantes a compreender e produzir enunciados, mas também pode ajudá-los a nomear situações, reconhecer limites, analisar relações de poder e compreender que a violência não deve ser naturalizada.

 

Karla Danielle Matos Menezes King
Boa Vista, Roraima
2026

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