Secretaria de Estado da Educação e Desporto de Roraima

Departamento de Educação Básica

Divisão de Ensino Fundamental

Relatório interativo ProAlfaLetraRR 2.0

Ensino Fundamental II - 6º Ano - 2026.1
Secretaria de Estado da Educação e Desporto SEED/RR
Divisão de Ensino Fundamental DIENF
ProAlfaLetraRR 2.0 Monitoramento e recomposição das aprendizagens.
01. Apresentação Institucional

Acolher as trajetórias de letramento em suas reais condições de existência.

O acompanhamento de letramento das turmas não busca rotular os desempenhos, mas sim lançar uma escuta qualificada sobre os caminhos de apropriação e uso social da língua escrita em ambientes multilíngues.

A Perspetiva de Continuidade: No ProAlfaLetraRR 2.0, a avaliação diagnóstica de entrada do 6º ano não funciona como término ou julgamento excludente, mas sim como ponto de partida para apoiar o planeamento didático ao longo do ano letivo.

A realidade demográfica e social das escolas estaduais de Roraima mudou de forma expressiva nos últimos anos. Os fluxos migratórios contemporâneos e a presença de povos indígenas integrados à rede de ensino consolidaram salas de aula caracterizadas pela diversidade de repertórios comunicativos e culturais.

Nesse contexto, o ensino de Língua Portuguesa não pode se basear em um padrão de correção rígido e alheio à realidade plurilíngue dos estudantes. O compromisso do Programa ProAlfaLetraRR 2.0 é conceber o ensino sob a ótica de práticas sociais de uso real da linguagem, valorizando os múltiplos repertórios que as crianças trazem de suas famílias, sem sanções ou desvalorizações de seus backgrounds identitários.

Este relatório consolida a devolução pedagógica e as orientações de recomposição recomendadas a partir da Avaliação Diagnóstica de Entrada do 6º Ano. O objetivo é oferecer aos professores subsídios práticos e viáveis para realizar a mediação diária em sala de aula, garantindo uma transição acolhedora e focada no desenvolvimento plurilíngue para os anos finais do Ensino Fundamental.

02. Evolução do Programa

A Transição para o ProAlfaLetraRR 2.0

A evolução para a versão 2.0 do program atende às mudanças ocorridas no cenário escolar de Roraima, buscando consolidar o acompanhamento pedagógico focado em letramentos plurais e garantir ações de recomposição discursiva viáveis.

O Marco Inicial (Versão 1.0)

No primeiro ciclo do programa, o trabalho concentrou-se nas competências primárias de leitura e letramento inicial das crianças mais novas. O foco esteve na apropriação do sistema escrito alfabético, no reconhecimento de palavras estáveis e na correspondência grafofonémica primária.

A experiência pedagógica apontou que o letramento é um processo contínuo que não se esgota nos primeiros anos. Ao chegarem ao 6º ano, muitos estudantes necessitavam de suporte continuado para consolidar competências de compreensão textual complexas e autoria, especialmente após os impactos causados pelo período de distanciamento social.

O Escopo de Consolidação (Versão 2.0)

A versão ProAlfaLetraRR 2.0 foi desenhada para expandir o foco em direção à autonomia discursiva dos estudantes dos anos finais. A proposta pedagógica não se limita a analisar se o aluno consegue apenas descodificar, mas avalia o seu papel como autor do próprio pensamento através de produções escritas reais e de uso social da linguagem.

Esta mudança trouxe um refinamento da escala de proficiência para 4 níveis claros, permitindo mapear o desenvolvimento linguístico, o respeito às variedades orais locais e as transições de escrita de estudantes monolíngues e multilíngues.

Foco de Transição Pedagógica

Quando o modelo original centrava-se na decodificação do código escrito, o ProAlfaLetraRR 2.0 avança para apoiar a fluência leitora crítica, a recomposição focada nos anos finais e os direitos de letramento de alunos hispanofalantes e indígenas.

PROALFALETRA 1.0 PROALFALETRA 2.0
03. Eixos Temáticos

Estrutura de Eixos do ProAlfaLetraRR 2.0

O acompanhamento e monitoramento das aprendizagens em Língua Portuguesa no programa pautam-se por quatro eixos analíticos integrados que norteiam a avaliação e a formulation de estratégias didáticas:

1. Compreensão Textual Multinível

Este eixo avalia a leitura a partir de diferentes níveis de complexidade, reconhecendo que a compreensão textual não é uma competência única, mas um conjunto de operações cognitivas progressivas. Considera desde a leitura literal e a localização de informações explícitas até à realização de inferências globais, a identificação de implícitos, intenções discursivas e a leitura crítica do texto. O objetivo é identificar não apenas se o estudante compreende o texto, mas em que nível essa compreensão ocorre, permitindo diagnósticos precisos e intervenções pedagógicas intencionais.

2. Práticas de Letramento em Contextos Plurilíngues

Este eixo avalia como o estudante utiliza a Língua Portuguesa para ler, interpretar e produzir textos em situações reais, considerando que não atua num ambiente monolíngue, mas mobiliza múltiplos repertórios linguísticos e culturais na construção de sentidos. Não se trata de medir o domínio de outras línguas, mas de compreender a linguagem como prática social, por meio da qual o estudante age no mundo em contextos em que diferentes línguas e variedades convivem.

3. Produtividade Textual e Competência Discursiva

Este eixo avalia a capacidade do estudante de produzir textos escritos como unidades de sentido, considerando a organização das ideias, a coerência global, a adequação ao género e à situação comunicativa e a manifestação de autoria. A escrita é compreendida como prática discursiva, e não como exercício mecânico de correção gramatical, priorizando a funcionalidade da linguagem e a capacidade de expressar posicionamentos, narrar experiências e argumentar de forma consistente.

4. Sensibilidade linguística

Este eixo avalia a capacidade do estudante de reconhecer e compreender a diversidade de usos da Língua Portuguesa, considerando diferentes variedades linguísticas e a sua adequação aos contextos cognitivos. Inclui o desenvolvimento da consciência crítica sobre o preconceito linguístico e as suas implicações sociais, bem como a capacidade de mobilizar essa sensibilidade na leitura e na produção textual, reconhecendo a língua como fenómeno histórico, social e culturalmente situado.

04.

Escala de Proficiência e Equivalência SAEB

Conheça os patamares oficiais do programa e a sua respetiva correspondência com o padrão nacional de avaliação da educação básica.

Patamar I Muito Insuficiente no SAEB

Nível 1 Apropriação inicial da leitura e da escrita

Neste patamar inicial de letramento, o estudante é capaz de localizar dados explícitos e literais óbvios em enunciados de curtíssima extensão. A escrita apresenta-se ainda de forma fragmentada, com marcados desvios gráficos e de segmentação. Exige mediação pedagógica focada na apropriação sistemática do código escrito de contacto e mediações fonológicas básicas.

Patamar II Básico no SAEB

Nível 2 Apropriação em desenvolvimento

Reflete um letramento em transição em que o estudante identifica o assunto global em enunciados simples e de média complexidade, escrevendo frases inteligíveis, mas sem paragrafação coerente. Demanda intervenções estruturadas voltadas para o desenvolvimento da pontuação, redução de aglutinações linguísticas e prática guiada de reescrita.

Patamar III Adequado no SAEB

Nível 3 – Apropriação consolidada

Indica a consolidação plena das metas de letramento estabelecidas para o ciclo. O educando possui leitura fluida e autónoma, realiza inferências complexas, localiza implícitos em narrativas e produz textos com bom encadeamento sintático, paragrafação regular e respeito às normas de coerência e coesão textual.

Patamar IV Avançado no SAEB

Nível 4 Apropriação ampliada

Representa o nível ampliado de excelência discursiva e autonomia. O estudante demonstra fluxo de autoria, estruturando textos complexos em múltiplos géneros e interpretando nuances, intencionalidades e intertextualidades de forma refinada, inclusive valorizando a variação de registos regionais locais.

05. Leitura Pedagógica dos Itens

Mapeamento Pedagógico da avaliação de entrada

Mapeamos as habilidades cognitivas de todas as 10 questões da Avaliação de Entrada, dividindo-as em blocos temáticos integrados para facilitar a sua interpretação.

Bloco A: Localização de Informações e Leitura de Tabelas (Itens 1, 2, 3 e 4) Eixo Letramentos Plurais Inicial

Estes itens avaliam o domínio básico de leitura informativa e localização de dados explícitos de superfície em géneros multimodais (o infográfico que apresenta as doze línguas indígenas de Roraima).

  • Questão 1: Requer identificar o motivo da diversidade de línguas no território a partir de pistas textuais claras (Gabarito: Letra B).
  • Questão 2: Exige pinçar a informação numérica exata de línguas indígenas reconhecidas (12 línguas).
  • Questão 3: Mede o reconhecimento lexical de nomes indígenas específicos grafados fora do padrão comum de correspondências orais do português.
  • Questão 4: Identifica a finalidade comunicativa geral do infográfico de leitura (informar e valorizar).
Bloco B: Coerência Global, Tema e Inferência (Itens 5, 6 e 9) Eixo Compreensão Crítica

Avaliamos aqui a passagem do processamento textual da literalidade explícita para o entendimento global e a articulação intertextual entre duas fontes distintas de leitura.

  • Questão 5: Foca em reconhecer a ideia central do Texto II, compreendendo que a escola é o ponto de encontro de differentes histórias e origens (Gabarito: Letra C).
  • Questão 6: Exige inferir o sentido abstrato da expressão figurada todos aprendem juntos, vinculando-a à cooperação social do espaço escolar plurilíngue (Gabarito: Letra C).
  • Questão 9: Mede a capacidade intertextual de identificar o assunto partilhado entre os textos lidos (Gabarito: Letra C).
Bloco C: Conhecimento Linguístico e Convenção Escrita (Item 7) Eixo Análise Linguística Prática

Questão 7: Reescrita da frase em roraima ouvimos diferentes linguas.

Este item avalia a consciência ortográfica e o uso funcional da pontuação. O estudante precisa marcar o início da oração (Em) e o substantivo próprio (Roraima) com iniciais maiúsculas, identificar a acentuação na palavra proparoxítona (línguas) e sinalizar o encerramento do enunciado com o ponto final.

Bloco D: Sensibilidade Cultural e Escrita Autônoma (Itens 8 e 10) Eixo Autoria e Práticas Plurais

Este bloco fecha a avaliação integrando atitude, empathy sociocultural e produção discursiva estruturada.

  • Questão 8: Verifica se o estudante reconhece o respeito às variedades dialetais familiares e línguas de contacto como um direito básico de convivência (Gabarito: Letra C).
  • Questão 10 (Redação): Desafia o aluno a planejar e redigir um texto fluido de 8 a 12 linhas apresentando a sua escola a um novo estudante, articulando coerência, paragrafação, adequação ao género e hospitalidade.
06. Avaliação de Produção Textual

Competência Discursiva na Questão 10

A Questão 10 desafia o estudante a produzir um texto entre 8 e 12 linhas acolhendo e apresentando a escola a um novo aluno recém-chegado ao território. Trata-se de uma tarefa que engaja a empatia, a competência socioemocional e exige a mobilização de variados níveis de organização textual.

Segundo as diretrizes do Gabarito Comentado Oficial, a correção deste texto deve transpor a mera catalogação do erro ortográfico para colocar o foco sobre seis dimensões estruturais fundamentais, categorizadas em três patamares: Adequado, Básico e Insuficiente.

A Escrita como Prática de Escuta

A correção não deve inibir ou silenciar as vozes dos estudantes. Nos textos dos alunos de nível Básico ou Insuficiente, o foco principal deve recair sobre a tentativa de comunicação e a lógica discursiva, deixando os limites normativos ortográficos para as etapas de reescrita orientada em oficinas posteriores.

As 6 Dimensões Analíticas de Redação

1. Organização Textual

Cumprimento da extensão pedida (8 a 12 linhas) e sequenciamento de ideias estruturadas com coerência textual.

2. Espaço Gráfico

Legibilidade da caligrafia, respeito às margens, espaçamento de vocábulos e paragrafação nítida.

3. Pontuação

Utilização correta dos pontos de terminação (final, exclamação) e do emprego de vírgulas de modo funcional.

4. Clareza e Coesão

Ausência de truncamentos sintáticos inexplicáveis e evitação de repetições vocabulares desnecessárias.

5. Adequação ao Gênero

Compreensão do propósito comunicativo do texto: apresentar com empatia a escola e os seus agentes ao recém-chegado.

6. Sensibilidade Linguística

Atitude de respeito, acolhimento do outro e isenção de manifestações de preconceito linguístico ou social no escrito.

Ferramenta de Apoio Prático

Simulador de Diagnóstico de Redação (Questão 10)

Selecione o nível observado em cada dimensão para gerar instantaneamente a orientação de intervenção com base no Gabarito Comentado.

Diagnóstico de Letramento Dinâmico (ProAlfaLetraRR 2.0)

Nível 3 – Apropriação consolidada

O aluno escreve de forma lógica e coerente. Incentive o uso do Mural Vocabular Translíngue e promova dinâmicas rápidas de tempo real.

04. Mapeamento de Proficiência

EE Voltaire Pinto Ribeiro

Desempenho específico da unidade escolar no Território 7

Painel de Monitorização Dinâmico

Atualizado dinamicamente de acordo com as planilhas oficiais de 2026.1

Total de Alunos 174
Nível 1 Apropriação inicial da leitura e da escrita

Localiza dados explícitos de curtíssima extensão; escrita fragmentada com desvios de segmentação.

21% Alunos: 36
Nível 2 Apropriação em desenvolvimento

Identifica o assunto em enunciados curtos; escreve frases simples, mas sem paragrafação coerente.

6% Alunos: 10
Nível 3 – Apropriação consolidada

Realiza inferências globais e compreende teses; escreve textos sequenciados e pontuados adequadamente.

12% Alunos: 21
Nível 4 Apropriação ampliada

Domina inferências complexas e intencionalidades; escrita de autoria marcante, original e com forte coesão.

61% Alunos: 107
07. Ação e Mediação Prática

E após a correção? O que e como fazer na prática

Sabemos que a rotina de escolas estaduais em Roraima é marcada por turmas populosas (frequentemente com mais de 35 alunos) e um ambiente fortemente plurilíngue. Propor intervenções individuais complexas é irrealista para a carga horária docente. Por isso, desenhamos estratégias de baixo atrito de preparação, focadas em dinâmicas de cooperação que dividem o esforço didático com os próprios estudantes.

Ação A: Agrupamento Produtivo Espelhado (L1 e L2)

Como fazer em sala lotada: Não prepare atividades diferentes para cada aluno. Divida a turma em duplas de trabalho para as aulas de leitura e produção escrita, unindo um estudante que possui domínio fluente da escrita instrumental em português (L1) com um colega em transição linguística (indígena ou hispanofalante, L2).

Antes de escrever a versão final, os alunos debatem e leem juntos. O aluno fluente apoia na segmentação de parágrafos e ortografia, enquanto o colega em desenvolvimento contribui com as suas ideias e vocabulário de forma fluida. Isso reduz a dependência de suporte individual e direto do professor.

Ação B: Circuito de Rotação por Estações Simplificado

Como fazer em sala lotada: Divida a sala de aula física em 3 grandes grupos geográficos de carteiras. Não exige alteração do mobiliário, apenas da instrução de tarefas.

  • Estação de Leitura Autônoma: Os estudantes leem de forma independente tirinhas curtas de circulação regional.
  • Estação Cooperativa de Jogos: Realizam em pequenos grupos um jogo de tabuleiro focado em preencher lacunas de pontuação com regras fáceis e auto-corretivas.
  • Estação de Atendimento do Professor: O docente sent-se fisicamente com apenas um grupo menor para orientar a reescrita de um parágrafo da Questão 10. A cada 15 minutos, os papéis mudam.
Ação C: Oficina de Escrita Coletiva "Professor Escriba"

Como fazer em sala lotada: Em vez de corrigir 40 cadernos de redação individualmente em casa, realize a modelagem de reescrita em tempo real na lousa uma vez por semana.

Pegue passagens típicas que foram avaliadas como Básico ou Insuficiente na Questão 10 (omissão de parágrafo, ausência de pontuação, aglutinação de palavras), transcreva no quadro sem expor quem escreveu e desafie a turma inteira a atuar como revisora: Como podemos reescrever esta frase para dar mais clareza ao leitor?. Os próprios estudantes debatem as opções, e o professor atua registrando e explicando os ajustes de convenção ortográfica na lousa.

Ação D: Mural Vocabular Translíngue Dinâmico

Como fazer em sala lotada: Fixe uma folha de papel pardo ou cartolina na parede da sala. Divida-a em três colunas simples de correspondência lexical: Português, Espanhol e Língua Indígena (como Macuxi ou Wapichana).

Sempre que um conceito-chave aparecer nas aulas (em geografia ou ciências), estimule que os estudantes registem as equivalências de forma voluntária. Isso valida o bilinguismo, aproxima as culturas e atua como dicionário permanente de apoio visual para subsidiar as próximas redações da turma de forma fluida.

✦ AI Tecnologia & Práticas Plurais

Assistente Pedagógico Integrado ProAlfaLetraRR 2.0

Utilize inteligência artificial para potencializar as estratégias didáticas da sua sala de aula. As consultas são processadas diretamente com os referenciais de multiletramentos, translinguagem e intercompreensão.

✨ Analisador Translíngue de Escrita

Cole uma amostra da produção escrita do seu estudante (Questão 10 ou similar) para obter um perfil pedagógico focado nas abordagens plurais.

Compromisso de Trabalho Coletivo

Por práticas de linguagem que aproximam e acolhem.

Nenhum dado numérico isolado é capaz de capturar a plenitude do instante em que uma criança percebe que a sua escrita é o reflexo de sua própria identidade gravada no mundo. A evolução para o ProAlfaLetraRR 2.0 reafirma o compromisso de assegurar a cada estudante do território de Roraima o direito à expressão qualificada, à escuta sensível de sua história e à equidade plena de oportunidades. Seguimos de manos dadas, tecendo as narrativas do nosso amanhã.

Divisão de Ensino Fundamental, DIENF Secretaria de Estado da Educação e Desporto (SEED/RR), 2026